Algumas considerações sobre o meu fazimento principal: o desenho de humor.
Caricare, a arte da caricatura
O humor gráfico como método para uma mudança pessoal e na empresa
Introdução:
O stress e o humor
Entre as questões que deveriam estar nas prioridades de discussão nas empresas modernas , no que se refere à globalização e a aceleração da competitividade dela resultante, uma das mais importantes seria certamente sobre os efeitos da volatilidade das condições de trabalho, entre eles o stress funcional e a baixa criatividade, e dos riscos que podem ser evitados, se esses efeitos forem equacionados, prevenidos e solucionados. As novas exigências percebidas pelas administrações demandam significativas mudanças na abordagem de técnicas de motivação e treinamento. Uma década de reengenharia e processos motivacionais messiânicos deixaram como resíduos persistentes a desconfiança e a resistência aos métodos tradicionais.
O humor e o seu efeito, o riso, atuam como antídotos à desconfiança e ao stress .Herbert Lefcourt um eminente psicólogo da Universidade de Waterloo, no Canadá, estudou a hipótese de que o senso de humor, e o seu uso, podem alterar a nossa resposta ao stress. Na sua pesquisa, pessoas foram consultadas sobre a freqüência e a severidade de mudanças estressantes ocorridas com elas nos últimos seis meses, e os seus recentes distúrbios de temperamentos eram avaliados. Lefcourt aplicou testes de avaliação de humor, percepção de humor, riso, e esforços de inclusão de humor e riso nas formas de vida de cada um. Resultados da pesquisa mostraram que a habilidade de incluir a prática e o senso de humor podem alterar positivamente as perturbações de estados de espírito resultantes de eventos negativos.
O humor nos permite mudar a perspectiva de nossos problemas, e com o afastamento, nos permitimos sentir autoprotegidos , com o ambiente à nossa volta sob controle. Freud anotou a poderosa influência psicológica do estado de humor: Como o espirituoso e o cômico, o humor tem um elemento de libertação. É o triunfo do narcisismo, a assertiva vitoriosa do ego de sua própria invulnerabilidade,”(Chistes, 1905). Quando optamos por rir de ou sobre uma determinada situação, nós passamos a nós mesmos a mensagem sutil: ”Veja, Isto não é tão ameaçador. É risível e absurdo de certa maneira. Não posso levar tão a sério.”
A palavra humor tem muitos significados. A raiz de onde advém é “umor””, significando líquido, fluido. Na Idade Média e Renascença, humor era um dos quatro fluidos básicos do corpo que determinavam o temperamento e saúde humanos (sangüíneo, fleumático, colérico, melancólico). Um dicionário define humor como “a qualidade de ser risível ou cômico” ou “estado da mente, temperamento, espírito”. Humor , em todos os sentidos, é algo que flui, envolvendo características básicas do indivíduo que se expressam no corpo, em temperamentos e reações emocionais, e em maneiras de sentir, pensar, e de espírito. As qualidades de humor e espírito são similares, e interdependentes Ou, como Sócrates resumiu: “Da mesma forma que não se cuida dos olhos sem se cuidar da cabeça, da cabeça sem se cuidar do corpo, não se cuida do corpo sem se cuidar da alma”.
(1) Lefcourt, H.(1986) Humor and Life Stress- -Springer Verlag
Humor e treinamento:
Para avançarmos, temos que reconhecer a rapidez com que as mudanças ocorrem atualmente. Como consequência aumentam as tensões e estresses. O que sabemos hoje talvez não seja suficiente amanhã, e para isso é preciso aprender contínuamente. Também assim ocorre com as empresas direcionadas pelas mudanças , que procuram atender às principais demandas atuais:
- produzir mais com menos;
- produzir mais rapidamente produtos e serviços;
- absorver o fluxo crescente de informações.
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Isso faz com que, antes de tudo, as empresas necessitem de pessoas treinadas que incorporem os seus objetivos. O humor pode também influenciar e agilizar a habilidade de aprender. Transmitir a informação com humor melhorará a comunicação de três maneiras:
- captar a atenção de quem aprende;
- aumentar a permanência do que está sendo ensinado;
- ajudar a liberar a tensão que bloqueia o aprendizado.
O ambiente de aprendizado assim conquistado retornará à empresa de forma permanente, transformando-se em uma maior receptividade às mudanças, melhor cooperação e solidariedade. Incentivará a criatividade , a solução de problemas, e uma maior produtividade.
O humor gráfico:
Caricare: A caricatura como pretexto para o humor e a criatividade
Em O Nome da Rosa, de Umberto Eco, o personagem Jorge de Burgos, argumentou: o riso é o princípio da dúvida. Talvez esteja aí um dos motivos porque o humor visual só fosse registrado a partir do século XVI, na Europa, principalmente na Itália. Por mais surpreendente que seja, a caricatura humana era desconhecida até então. O que nos parece hoje em dia um processo artístico tão simples e mesmo tão primitivo , a deformação deliberada dos traços de uma pessoa com o intuito de provocar o riso, era uma técnica satírica desconhecida pela antiguidade clássica, bem como à Idade Média e ao Renascimento .Foi na Itália que o verbo caricare , ou carregar, deu origem ao substantivo caricatura, ou retrato carregado, onde as peculiaridades físicas do modelo eram destacadas em tons fortes, exagerados. Transferindo-nos para o francês, onde carregar é charger, temos a origem do termo charge,
Desenvolvida por mestres como Hogarth e Daumier, essa forma peculiar de comentário gráfico chegou até nossos dias através de duas vertentes: a charge, intensamente política, social, indignada e o cartum, isolado ou em quadrinhos, se atém aos costumes ou se torna um puro divertimento..Outros refinaram a linguagem do desenho, que atingirá o estado da arte com Saul Steinberg, recentemente falecido. No Brasil, J.Carlos é a referência principal no percurso extraordinário de talentos que iria produzir artistas como Henfil que, passados onze anos após sua morte,ainda nos delicia como uma fonte inesgotável de espírito e reflexão.
Um exercício da fantasia, ela reune os elementos básicos do humor, como a idéia, o afastamento, a comparação , e finalmente, a surpresa, o espanto liberador das tensões, o riso.. A caricatura requer dois impulsos artisticos básicos: observar a realidade objetivamente para transformá-la subjetivamente. Há um comprometimento pessoal de quem a exerce, pois deve trazer as coisas comuns, diárias, naturais , para dentro de sua experiência. A necessidade de afastamento do modelo traz uma maior liberdade de análise, e o ato de desenhar é o ponto de partida para a ordenação da idéia. Na era da imagem, ao nos expressarmos pela linguagem gráfica, simplificamos a comunicação . Ao nos atermos a um tema específico, e tentar caricaturá-lo, estaremos despertando dentro de nós um processo criativo que interage e envolve todos os participantes. Como treinamento, a caricatura pode ser usada como ponto de partida para a introdução do humor em grupo, para um processo ordenado de geração de idéias e solução de problemas.
O workshop e o autor
Realizado anualmente desde 1996, em Belo Horizonte, o workshop Caricare, a arte da caricatura, é uma iniciativa pioneira do cartunista Guz na transferência de conceitos e técnicas sobre o humor gráfico, envolvendo desde as premissas condicionantes do riso, técnicas rápidas de desenho e geração de idéias. Não são necessárias habilidades artísticas ou conhecimentos anteriores do “saber desenhar”.. A afirmação, algo surpreendente à primeira vista, tem uma explicação : o que se pretende é a aderência do humor no cotidiano dos participantes. O cartum muitas vezes é a ausência do "bom" desenho e se atribui um valor especial à expressividade e espontaneidade do traço, já que permite acentuar o sentido de estranheza com relação aos padrões normais. “É no afastamento do modelo que você cria a diferença que, através de uma comparação instantânea com a imagem que se tem registrada na experiência de cada um, escapa da censura e provoca o riso. “
Porisso mesmo, o programa não poderia também deixar de ser pioneiro:
Você está rindo por quê? O mecanismo do riso. A linguagem do desenho. Soltando a mão. Caricare e caricatura. Os mestres: Da Vinci, Carracci, Hogarth, Daumier, J.Carlos, Henfil. A caricatura e seus derivados: a charge, o cartum, o desenho de humor. Calma, gente, eu chego lá. A revolução de Steinberg e o humor moderno. Nossos craques. A idéia. Como gerar mais e melhores idéias. Eta turminha apressada. Os primeiros passos. Observar é saber olhar. Os tipos humanos. A cabeça e os pontos móveis. Você já está melhorando. Descubra o seu traço. Não esqueça o seu diploma.